Evangelii Gaudium: 1ª Abordagem

Evangelii Gaudium: 1ª Abordagem

Evangelii Gaudium: 1ª Abordagem

Hoje começamos o comentário à exortação pós-sinodal Evangelii Gaudium: 1ª Abordagem

A Exortação Apostólica “ Evangelium gaudium” , a Alegria do Evangelho é , em meu entender, um dos mais notáveis documentos do magistério da Igreja, no domínio da Doutrina Social da Igreja. É , tem de ser, de leitura obrigatória por parte de TODOS os baptizados. Num mundo que perdeu a esperança, que vive alienado, por um consumismo desenfreado e selvagem, com uma economia mortífera, a Igreja, ou seja os baptizdos, todos sem excepção, têem de sair ao encontro  dos nossos irmãos que vivem na periferia da sociedade, rejeitados, descartados como sobras desta sociedade egolátrica.

Mas “ A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”, como começa este notabilíssimo documento do Papa Francisco. Por isso, o que lá se lê não é de direita nem muito menos de esquerda. É do Evangelho! Só. E nem se pretenda tirar ilações que não será lícito tirar. O Papa convoca-nos para uma mudança. A mudança de paradigma que afastou o Evangelho do centro das nossas vidas e das sociedades. Não foi por acaso que o Papa fez questão em assinar, para divulgação, no dia de Cristo Rei e Senhor do Universo!

Todos nós já nos apercebemos que o actual modelo de sociedade, de um capitalismo brutal, selvagem e profundamente agressivo da Pessoa Humana, bem como os  modelos marxistas  que faliram por serem total e profundamente desumanos, não nos servem! Como não nos serve, nem serve o Evangelho, uma Igreja voltada para si e para a manutenção de estruturas que , não raras vezes, são profundamente anti-evangélicas. O Papa Francisco convoca-nos para uma mudança radicada no Evangelho, numa Igreja que sai à rua, anda na rua, “ lê” a rua e propõe à rua o Evangelho. E exorta-nos, todos , “ a aplicarem ,com generosidade e coragem , as orientações deste documento, sem impedimentos nem receios.”

A “ Evangelium gaudium” tem de ser muito bem lida, divulgada. Aplicada no quotidiano de cada um de nós e nas nossas diferentes comunidades. “ Espero que todas as comunidades se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não serve uma “simples administração”. Constituamo-nos em “ estado permanente de missão”, em todas as regiões da Terra “ ( E. G. ,nº25 ).

“ Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a Igreja, aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças… “ ( E.G. nº49 ).

Permita-se-me que, a propósito , transcreva um poema que publiquei no meu livro “ Suite Lusitana” ( Braga,2003 ):

DECIDI!

Decidi!

Não quero ser

Nem parecer

Aquela folha branca,

Pura e imaculada,

Que com medo de se sujar

No serviço e ao serviço

P`ra que foi preparada

Morreu

Numa triste madrugada

Como queria:

Branca, pura e imaculada.

( No seu último segundo, arrependida,

Lembrou-se que a sua vida

Tinha sido inútil

Pelo capricho fútil

De querer morrer sem se sujar

Aceitando ter uma vida vazia.)

Por Carlos Aguiar Gomes

Prior da Província São Nuno de Santa Maria