Eutanásia em Crianças na Bélgica

Eutanásia em Crianças na Bélgica
Por João Batista Passos
IIFC – MSM Brasil
Copiei a manchete “Bélgica aprova a eutanásia em crianças” e só de ler isso é possível assombrar-nos com grande horror. Eu não conheço uma mãe que vendo o seu filho ou filha adoecido no hospital não ter outra esperança a não ser que se recubra a saúde e que possam voltar para casa e viverem a vida. As pessoas podem não estar atentas no dia-a-dia, mas em muitos momentos tem absoluta convicção de que o maior dom e patrimônio que se tem é a própria vida.
Pessoas que estiveram muito próximas da morte, contam que nestes determinados momentos é que se pede uma nova chance, uma nova oportunidade para se viver mais, a ponto de desejar, talvez, simplesmente despedir-se, olhar nos olhos dos seus.
Mas, o que lemos, vemos e ouvimos é um discurso de que a morte é o dom e não a vida. Pessoas que levam uma vida levianamente talvez tenham sim um grande desgosto de viver e por isso aplicam leis de morte aos seus semelhantes, não se importando com a esperança última de um segundo a mais, um momento a mais é sempre desejável… talvez para estas pessoas que cortejam o sentido da morte com tanta vulgaridade, os sentimentos e esperanças mais íntimos da existência humana não merecem respeito… ou seja, o ser humano em sua complexidade é descartável.
Na atual cultura que se nos impõe um mundo de facilidades, de prazeres e de cores, a dor é algo extremamente rejeitado. Pessoas que pregam esta cultura simplesmente negam a dor e sugere suas opiniões como se elas fossem incontestáveis, já que a dor é algo sempre indesejado e muitas pessoas se amolecem, aceitam esta modalidade mesquinha e se lançam no mar da desesperança.
Mas, porque devemos nos firmar na dor e em momentos de desesperança, não seria este um castigo que auto se aplica (aqui, pior ainda, que se aplicaria às crianças)?
Devemos suportar a dor sim, sempre justamente pelo fato de que a suportamos pelo dom demasiado grande da vida que temos… ninguém em absoluto quer morrer, deseja a própria morte, nem aqueles que a ceifaram com as próprias mãos e por isso, de maneira definitiva, não podemos sob nenhum pretexto apressar a morte e muito menos de crianças… há de se pensar na esperança!
Não suportamos a dor por um sentimento de auto-piedade, mas só por que queremos resguardar a nossa vida, não queremos ver a dor dos nossos filhos, queremos e esperamos que a cada dia mais eles vivam e sobretudo, num mundo de grandes esperanças, onde a vida seja para cada um um tesouro inegociável e que a vida de cada um de nós seja sempre um tesouro inegociável.
Sugerir a morte, como assim o fez o parlamento belga, não é como se pensa ser um ato de piedade, uma atitude de misericórdia, pelo contrário, é um golpe na vida das pessoas, um mal determinado, uma lança transpassada no coração das famílias, que parecem ser empurradas cada dia mais para a indiferença entre entes.
Sugerir a morte ás crianças não sugere apenas um mal isolado, mas sugere um mal maior, que tende a se estender como um grande câncer no mundo, onde deverá a cada dia mais reinar mais a indiferença e desesperança, onde a vida se fica ocultada pelas propostas do mundo, cada dia mais em trevas.
O pior sentimento que podemos ter em relação a nossa própria vida e a vida dos nossos se chama indiferença… onde a morte reina mesmo antes de cometer um ato homicida, fratricida, infanticida…
Se o mundo obscurece a vida, devemos buscá-la na origem da vida, em quem a dá como um dom valioso. Se nos vermos envoltos em trevas das propostas de morte propagadas pela cultura do mundo, se vivemos em meio a indiferença mortal, busquemos a Vida em Cristo e não nos abandonemos a própria sorte. Segue Colossenses 3, 2-4.

Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra.Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.