Carta às famílias III

O Preâmbulo da Carta dos Direitos da Família , como se disse em artigo anterior, é uma introdução notável. Cada um dos seus Considerandos merece uma  leitura pausada e reflectida. São, sem dúvida, um precioso  contributo para a sua compreensão.

 

Num período histórico, como este que estamos a viver, a Carta dos Direitos da Família , tem uma actualidade  gritante. Parece que foi escrita hoje e que nos acaba de chegar às mãos!

 

“ … a experiência de diferentes culturas através da história mostrou  a necessidade que tem a sociedade de conhecer e defender a instituição familiar “ ( Considerando H ). De facto, a Família , em todos os tempos e culturas, baseada na complementaridade de Homem e Mulher, sempre que é agredida  arrasta consigo a degradação da própria sociedade que de protectora da realidade ecológica, natural, da Família , por isso, se torna em verdadeira agressora de si mesma. E, assim, se torna vítima, muitas vezes voluntária!

 

É o que cada um de nós pode observar nesta aqui e agora! Os ataques à Família são cada vez maiores e mais destrutivos. Nem o seus alicerces querem deixar incólumes, pois sabe-se que destruindo os alicerces (o casamento, deve especificar-se claramente!), a sociedade acabará caótica e pronta para a sua manipulação e domínio.

 

O Considerando I diz-nos muito claramente que “a sociedade ,e de modo particular o Estado e as Organizações Internacionais, devem proteger a família com medidas de carácter político, económico, social e jurídico ,as quais  contribuam para consolidar a unidade e a estabilidade da família a fim de poder cumprir a sua função específica”. Infelizmente, em quase todos os países do chamado Ocidente, assiste- se precisamente a uma acção contrária por parte de todos os intervenientes indicados. Basta elencarmos todas as medidas políticas que se têm tomado e que parecem não ter outro objectivo que não seja destruir a Família: legislação sobre o casamento e perseguição feroz contra quem não admita o que nos é imposto em nome das “conquistas da civilização”!…Ou a facilitação levada ao extremo e respectiva banalização do divórcio (é muito mais fácil e barato pedir e obter o divórcio do que despedir um trabalhador incompetente e negligente de uma empresa!). …Ou  as leis laborais que ignoram positivamente que um trabalhador, por via de regra, tem uma família… Ou que o Estado se arroga o direito exclusivo (quase) de se intitular o educador dos nossos filhos não se permitindo a livre escolha da escola para os filhos. …Ou uma fiscalidade altamente penalizadora das famílias, sobretudo das que fogem à regra (imposta) de politicamente correcto  só se ter um filho ( hipótese optimista). Ou… que cada um pense como o Estado todos os dias e sempre penaliza as famílias, quando, por ser posterior àquelas , deveria ouvi-las ,respeitá-las e defendê-las.

 

Neste 30 º aniversário da Carta dos Direitos da Família e neste contexto agressivo contra as famílias, é tempo de estas se levantarem e fazer ouvir as sua voz.