Contra uma barbaridade, outra barbaridade!

Carlos Aguiar, provincial

Carlos Aguiar, provincial

Por Carlos Aguiar Gomes

Uma criança, de 12 anos, animalescamente violada pelo padrasto: uma barbaridade!

A mesma criança, barbaramente, vai ser submetida a um aborto. Ou seja, um mal hediondo combate-se contra com um acto ainda mais hediondo.

Que sociedade é esta que age deste modo?

Onde estamos e para onde vamos?

Com ou sem autorização judicial, o mal é o mesmo: o aborto.

A morte de um bebé, que, como sua mãe, não tem qualquer culpa de ter sido concebido nem aquela de ter sido violada, são um mal. São ambos muito maus. Péssimos. Mas não se apaga um mal praticando outro mal. E no meio disto tudo, o que pensa a criança-mãe a quem lhe vão MATAR o filho?

Já lhe explicaram que o bebé, que não é um boneco, nem qualquer objecto, uma criança que vão matar?

Quem rodeia esta menina-mãe já lhe disse que há instituições que a podem e querem ajudar a tratar, cuidar e  tomar conta do seu filho e a ela que também carece de grande apoio para superar esta enorme dificuldade, esta feroz agressão?

Ou tem havido uma preocupação dominante e dominadora de eliminar o bebé que conscientemente querem matar?

Este é mais um caso, um triste caso, de como o aborto e a lei que o promove tem de ser alterada, no respeito absoluto pelos mais indefesos, as crianças por nascer.

Incomoda-me esta civilização, esta cultura da morte! A ligeireza com que se matam os indefesos, os desprotegidos.

Revolta-me a pena de morte, em qualquer circunstância que, como se sabe, não interrompe a vida, mas termina com ela de forma irreversível. Também a sua promoção como remédio para as injustiças e a falta de valores que promovemos, acarinhamos e toleramos.

Esta é uma situação clamorosa perante a qual não posso silenciar-me. O meu silêncio seria conivente. E não quero dar a minha anuência, pelo meu silêncio, a este crime.